Enredo: Manaós
Sinopse:
Abertura: Origem Etimológica - Manaós e o encontro dos rios Negro e
Solimões
Manaós
– A mãe dos Deuses, cidade tropical. Tribo símbolo de orgulho perante os
portugueses lá nos tempos das missões no Solimões e de resistência a
colonização. Ajuricaba, o líder dos Manaós não se curvou e lutou bravamente
contra os invasores. Um símbolo de resistência de sua cultura no meio da
floresta - que para não sujeitar-se a humilhação diante ao domínio, lançou-se
ao encontro das águas dos rios, dando seu ultimo suspiro de valentia e
persistência...
Segundo
Setor:
Lendas do Imaginário Popular – A face da Cobiça
Águas
que guardam mistérios, encantam e transcendem gerações. O encontro dos rios faz
surgir histórias no imaginário popular. Criaturas ganham vida e emergem do
fundo dos rios em pleno luar.
Sob
o brilho de Jaci desabrocha a Estrela dos lagos que em seu desespero maior de
tornar-se escolhida encontra no fundo das águas do igarapé seu acalento e vira
flor. Conduzida por peixes surge uma sereia que com seu cantar encanta
pescadores que por essas águas desbravam. Os que cedem ao seu encanto findam no
fundo dos rios afogados de paixão... Reza a lenda que no início da noite, uma
criatura marinha se transforma em um belo homem e emerge do rio-mar, muito bem
vestido e de chapéu o rapaz vai aos bailes, dança, bebe, conversa e conquista
uma moça bonita. Mas, antes do dia surgir, entra de novo na água do rio e
transforma-se em Boto. Há quem diga - alias - carregar em seu ventre um fruto
dessa “paixão proibida”.
Muitos
mistérios ainda guardam essa região, como uma imensa serpente que habita as
profundezas do Amazonas, uma criatura secular, de olhos de fogo que por vez ou
outra afunda embarcações. Saindo das águas do colosso rio-mar e adentrando o
Reino das Pedras Verdes uma tribo muito peculiar nos aguarda, trata-se das
Icamiabas. Índias guerreiras que montadas em seus cavalos e armadas de arco e
flechas se tornaram mais um símbolo de luta contra os invasores.
Fomentados
nessas histórias da região que perpetuam por séculos o imaginário popular o
europeu corroeu nossas matas em busca de uma cidade mítica, coberta de ouro,
onde tudo reluzia, o Eldorado Submerso. Nasce aqui à cobiça, a ganância do
homem branco por esse local...
Terceiro
Setor:
Manaós – Seu povo, sua gente, sua cultura e seu Bioma – O Clamor por
Preservação.
Amazonas,
uma floresta que resiste no meio da civilização. Tanto explorada que hoje clama
por preservação – de seu povo, sua gente, da sua cultura e de seu bioma.
Tribos
que aqui foram dizimadas e que hoje sofrem para manter suas raízes culturais
num cenário de descaso e de globalização – sofrem tal qual sua fauna e flora,
que agonizam e dão seus suspiros de lamento e dor lutando contra sua extinção.
É preciso aprender com os Kokamas que por diversas vezes migram no alto
Solimões em busca de sua subsistência, seu alimento...
A
cobiça em busca do eldorado trouxe o homem branco - invasores que cruzaram
nossos rios a bordo de suas expedições exploratórias, dominando nossas terras e
tribos, que antes viviam em harmonia com seu habitat. O bioma que antes era
rico e próspero agora agoniza, sofre e luta para sobreviver.
É
durante a colonização dessas terras que o monstro europeu captura nossos
animais e os leva para a Europa como "premiação", uma
"moeda" expositiva. Levam daqui pra lá de tudo um pouco. Tamanduás,
araras e até mesmo o guaraná - o fruto dos mawés.
Quarto
Setor:
A Paris dos Trópicos – A Manaus da Bellé Epoque.
Exploração
que fez surgir do Látex das Seringueiras uma floresta em sangue e do surgir do
ciclo da Borracha Manaus se desenvolve. As ruas se iluminam e transformam os
ares da cidade tropical - Nasce então a Paris dos Trópicos...
Eis
que o caminho para o transporte da Borracha era longo fazendo ser necessária a
criação de uma ferrovia, buscando levar através das mesmas a riqueza recém
descoberta até seus destinos. Para isso é criada a Madeira-Mamoré, que logo se
popularizou como a "Ferrovia do Diabo." - Uma lenda local que conta
que para cada trilho da ferrovia um operário havia sido sacrificado - Com o
auge da Borracha Manaus fervilhava e o desejo de modernizar a cidade atinge seu
ápice implantando modelos europeus no meio da floresta amazônica. É nesse
momento da história que surge o Teatro Amazonas, financiado pelo sangue que
escorria das seringueiras na época – Na Belle Epoqué Tropical.
Quinto
Setor:
A Cobiça que Cega o Invasor – O Eldorado Vida e a Cidade Meio Ambiente.
O homem branco cego
pela cobiça não reconheceu aqui o seu verdadeiro tesouro. O Eldorado-Vivo, a
vida. O monstro verde continua a dizimar nossas aldeias e matas, destrói
monumentos e constrói a história feita de pedra e cal, que nada representa do
nosso povo. O Cacique de terno e gravata, sob o chão erguido por Honorato vive
a nos destruir impondo medidas que cada vez mais nos prejudicam. São tempos difíceis,
de luta em defesa do pulmão do mundo, tempos em que não podemos deixar que o
som de nossas florestas seja o ecoar de motosserras ou das queimadas produzidas
pela ganância de fazendeiros, mas o do cantar dos pássaros; ou mesmo que o
cheiro de nossas matas seja o de agrotóxicos. Devemos lutar e erguer a bandeira
da preservação, invocar nosso índio-herói Ajuricaba, para que Manaus seja
novamente o símbolo do resguardo da Amazônia, a cidade Meio Ambiente.
Emerge-te Manaus, do
fundo das águas e mostre ao mundo seu povo, sua gente e suas historias.

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