domingo, 6 de abril de 2025

Samba 06 é o Vencedor da disputa do samba-enredo

 


Após a divulgação dos 6 sambas-enredos, a Floripa do Samba comunica o vencedor. Samba de Rafael Muniz e Lucas Donato vai representar a nossa agremiação.

Presidente Christian enfatizou o compromisso pelo título de 2025. "2024 foi um ano para esquecer. Tivemos problemas e lutamos para por a escola na avenida. Em 2025 vamos vir renovado e com um belíssimo samba-enredo".

Presidente: Christian Fonseca
Carnavalesco: Fernando Constâncio 
Enredo: Martírios e Paraísos utópicos na terra que se chama Brasil
Compositores: Rafael Muniz e Lucas Donato

Eu vejo o sonho, o Paraíso 
Nos olhos o brilho do céu de Jaci 
Eu vejo a força criadora de Yebá Beló
O templo maior, oh Mãe Natureza!
Luz ofuscada nas ondas da navegação 
Meu canto sagrado não vence o canhão
E assim se forja o Brasil
A cruz e o fuzil bem na cara da gente
Na terra do Inferno Colonial
É fácil plantar o mal
Cavalo dado não se olha os dentes

A joia do Imperador chegou
Flamula um falso esplendor de amor
O amargo da cana, o suor na lavoura
O corpo sangra na estação mais duradoura

O samba danado glorifica o fim da escravidão 
E chora se não encontra igualdade 
A luta diária pra garantir o pão
Só vê censura e repressão
Mas que covardes!
Pode cuspir, pode calar
Que o teu declínio há de chegar
Entre as ruínas nasce a flor da nova idade
Pode cuspir, pode calar
Que a alegria há de voltar
Chegou a hora de cantar a liberdade

Eu vou à luta com a pele vermelha
A minha bandeira é flecha ancestral
Floripa do Samba, voz da resistência
É a essência do meu Carnaval!


Samba 06 - Rafael Muniz e Lucas Donato

 


Compositor: Rafael Muniz e Lucas Donato

Eu vejo o sonho, o Paraíso 
Nos olhos o brilho do céu de Jaci 
Eu vejo a força criadora de Yebá Beló
O templo maior, oh Mãe Natureza!
Luz ofuscada nas ondas da navegação 
Meu canto sagrado não vence o canhão
E assim se forja o Brasil
A cruz e o fuzil bem na cara da gente
Na terra do Inferno Colonial
É fácil plantar o mal
Cavalo dado não se olha os dentes

A joia do Imperador chegou
Flamula um falso esplendor de amor
O amargo da cana, o suor na lavoura
O corpo sangra na estação mais duradoura

O samba danado glorifica o fim da escravidão 
E chora se não encontra igualdade 
A luta diária pra garantir o pão
Só vê censura e repressão
Mas que covardes!
Pode cuspir, pode calar
Que o teu declínio há de chegar
Entre as ruínas nasce a flor da nova idade
Pode cuspir, pode calar
Que a alegria há de voltar
Chegou a hora de cantar a liberdade

Eu vou à luta com a pele vermelha
A minha bandeira é flecha ancestral
Floripa do Samba, voz da resistência
É a essência do meu Carnaval!

Samba 05 - Alex Roman, Priscila Bueno, Vinícius Carvalho

 


Compositor: Alex Roman, Priscila Bueno, Vinícius Carvalho

Sou a flecha que corta a ilusão!

O tambor que desperta a nação!

Na avenida Floripa é raiz

É Brasil-cocar, clamando por justiça e por paz!


Vem ouvir o vento a soprar,

No ventre da terra um tempo sem dor,

Yvy marãe’ỹ, sagrado lugar,

Onde a vida dançava em louvor!

Jaci prateava as águas do rio,

Ceuci plantava o pão do viver,

O céu bordava um manto tão puro,

No abraço seguro do entardecer…

Mas o mar trouxe o aço e a cruz 

Velas ao vento, um tempo de horror!

Martírios apagaram a nossa luz

E a terra chorou, o sangue derramou


Trazem espelhos, roubam as cores,

Queimam as matas apagam tambores,

O paraíso virou ilusão,

Grilhões no corpo, lamento no chão!


Nos engenhos, a lágrima amarga

Na senzala, a liberdade se embarga

A república vem, mas a fome não sai

Mudam os donos, mas o povo não tem paz

Getúlio sorri, mas censura no olhar

O golpe se arma, e a sombra vem calar

Na boca fechada, o grito é canção

Tropicália explode em revolução

Brasil, teu cocar é a identidade!

Na força do povo, se ergue a verdade!

E se a esperança reluz no olhar

É pra vencer e enfim libertar!


Samba 04 - Imperial e Paulo Carvalho

 


Compositor: Imperial e Paulo Carvalho

Caravelas no mar, a cobiça chegou
Em Porto Seguro o mal atracou
E a visão distorcida de Caminha
Condena o tupi e o escraviza
yvy Maraey o paraíso original
Sucumbe ante a fúria do invasor
Que troca a maldade sem valor
Por nossa flora, nossa fauna, o matiz
Violaram a terra e a nossa raiz

Ie… um sonho de liberdade
Ie… quero ser livre de novo
Quero um país de verdade
Vermelha verdade com a cara do povo!

Os meus ideias… resistem muito além da monarquia
Por meus ideais… desafio o poder da oligarquia
Meu tropicalismo desafia a censura
Minha ancestralidade é a cura
Para a doença do esquecimento
Fazer valer nosso direito

EU QUERO UM BRASIL
BRASIL DE COÇAR
FLORIPA DO SAMBA SE MANIFESTA
PARA UM NOVO AMANHECER
NÃO DEIXEM MEU VERDE MORRER


Samba 03 - Tulio Rabelo

 


Compositor: Tulio Rabelo

Autêntica canção, genuína alegria
Elo forte de amor é Floripa
Que vem chegando
Pisando forte no chão
Por um Brasil Cocar, brilha meu pavilhão

Yvy Marãe'y
O paraíso na Terra existiu
Linda natureza
Com a proteção das Deusas
Indígena nação feliz
Indígena nação feliz

Mas, de repente, a Terra se fez visível
E a esquadra desprezível de Cabral desembarcou
Traziam martírios e paraísos que em utopia banhou
Assim o Inferno começou
O Inferno Colonial começou

A coroa e a bandeira tem a pura cor de sangue
Doenças e exploração a devorar
Falso esplendor, real dor
Escravo e luxo no mesmo lugar

Amargo açúcar 
Suado café e borracha
Cadê a prometida abolição?
Quando chegou, será que foi redenção?
Elite foi moldando a República
E Vargas com censura, ofuscou novos direitos
Que na ditadura desaba
Sendo reencontrada 
Em um movimento pioneiro
 
Hoje agradeço ao Tropicalismo
Que fez os trilhos para a Constituição 
Mas pelos direitos há muito a lutar 
Pra realidade o papel igualar
Pra realidade o papel igualar


Samba 02 - Flávio Santos

 


COMPOSITOR: Flávio Santos

PARAÍSO AONDE O CANTO DA AVES
SE MISTURA COM A NATUREZA EM COMUNHÃO 
YVE MARAE, TERRA SEM MALES
PELO BRANCO SE TORNA OBSESSÃO 
CARAVELAS APORTARAM
TRAZENDO A DESTRUIÇÃO 
A RIQUEZA EXPLORADA
PELAS MÃOS DA ESCRAVIDÃO 
NOS LIVROS DE  HISTÓRIA  
MENTIRAS SÃO ESCRITAS 
QUE A VERDADE PARA TODOS SEJA DITA

A LIBERDADE NÃO RAIOU
TODO PODER CENTRALIZADO 
NA SOMBRA DA  SOCIEDADE 
O POBRE É MARGINALIZADO
UM NOVO PAÍS, UMA NOVA ESPERANÇA 
SURGE O TROPICALISMO
ABRINDO  AS PORTAS PRA BONANÇA 

PARAÍSO DESEJADO, VEM A CONSTITUIÇÃO
OS DIREITOS GARANTIDOS, PARA A POPULAÇÃO 
SAÚDE, MORADIA, CULTURA E LAZER 
EDUCAÇÃO,  ALIMENTADOS PRA APRENDER
DEVOLVA TUDO  PARA AQUELES SÃO DONOS
ORIGINÁRIOS DESSE BRSIL
RESPEITEM A ANCESTRALIDADE
QUE UM DIA AQUI  EXISTIU
RESISTÊNCIA, IGUALDADE E  UNIÃO 
PARA MANTER A CHAMA ACESSA 
DIGNIDADE É O LEMA DA NOSSA BANDEIRA 

FLORIPA DO SAMBA DE TACAPE E COCAR 
VEM PARA AVENIDA GUERREAR 
CHEGA DE MARTÍRIOS, SÓ QUERO O QUE É MEU
ESSA TERRA NÃO  E SUA FOI DEUS QUE ME DEU

Samba 01 - André Mattos, Abraão do Vai Vai, Miguel Lemos, Marcus Lopes, Evandro Martins

 


COMPOSITORES: André Mattos, Abraão do Vai Vai, Miguel Lemos, Marcus Lopes, Evandro Martins 

Yvy Marãe'y
A terra sem males do povo tupi
Tudo era lindo, nunca se viu a guerra
Harmoniosa relação com a floresta
E de repente... O canto das aves silênciou 
A terra virgem, avistada, foi perdendo sua cor
Nem sempre o branco traz a paz
Assim que o navio aportou 
Começou o discurso em vão 
Enganando os meus irmãos

Jesuítas já chegaram prontos pra catequizar 
Feitos para invadir com espadas pra matar
A sua crença é diferente da minha
Você prega a cruz e eu prezo pela vida

Sempre a esperança resplandece
Com o ideal da liberdade
Entre falácias e mentiras 
A repressão perdura por lá
Vai ressoar 
O nosso grito pelo ares
Pelos direitos 
De ter comida, vida e lares
Respeito não é luxo
Pra quem resistiu nos anos de chumbo
A mídia que insiste em ignorar 
Jamais vai me silenciar

Pisa forte em ritual na minha aldeia
A tripo Floripa não vai sucumbir
O que você me fez, você vai ter que pagar
Salve o Brasil de tacape e cocar

“Martírios e Paraísos utópicos na Terra que se chama Brasil” é o enredo que a Floripa do Samba traz para seu carnaval virtual em 2025 .

 

Logo do Enredo. Criado por Fernando Cosntâncio


Sinopse:

Conta-se que, em tempos remotos, existiu um lugar onde o canto das aves, o bailar das plumas e a exuberância da flora se entrelaçavam em perfeita harmonia com um povo que pronunciava o Tupi-Guarani, cujos sons ecoavam como melodias sagradas. Nesse paraíso, chamado Yvy marãe'ỹ, a Terra Sem Males, não existiam vestígios de guerra, fome ou doença. Sob a proteção das matriarcas da floresta, o Paraíso Idílico era morada de Yebá Bëló, a Deusa Criadora, Ceuci, a guardiã da lavoura, e Jaci, a deusa da floresta e da beleza serena das noites de lua cheia.

Mas, de repente, a terra se fez visível.

A esquadra de Cabral, que desbravaria as costas do Brasil, avistou uma terra virgem, onde o paraíso se desvelava em sua plenitude. A visão de Pero Vaz de Caminha revela um idílio tropical: riquezas naturais, terras férteis onde tudo o que se planta floresce. Povos dóceis viviam em equilíbrio perfeito com a fauna e a flora - papagaios coloridos, árvores imponentes e frutas de todas as formas e sabores. Nossos ancestrais, semi-nus, adornados com penas e com os corpos adornados por desenhos, se banhavam nas praias e se alimentavam das dádivas da terra. Uma visão que se aproximava da mitologia Tupi-Guarani, onde o homem e a natureza viviam em comunhão.

Mas a história, em breve, tomaria novos rumos. 

Ao tocar as praias de Porto Seguro, os filhos do velho mundo trouxeram consigo tanto seus martírios quanto seus paraísos utópicos. Com suas vestes pesadas e armas em punho, os navegadores desembarcaram, brandindo facas, espadas, espelhos e louças, transformando o primeiro encontro com os Donos da Terra em um troca desigual, um escambo de desolação. Em um sopro de dominação, portugueses e jesuítas impuseram seus dogmas e suas visões de paraísos e infernos. O território foi marcado com suas cruzes, bandeiras e armas. O toque de suas mãos, embora recém-chegadas, trouxe consigo a destruição e o sofrimento para aqueles que haviam sido os primeiros, os Donos da Terra. Com seus tentáculos da destruição, a chegada das coroas e das bandeiras trouxe o Inferno Colonial para os povos indígenas, devorados pela doença e pela exploração.

Em 1808, uma fuga determinaria o futuro do Brasil.

No dia 22 de janeiro, a Família Real Portuguesa aportava em Salvador, recebida com salvas de canhões, tiros de fuzil e o eco dos sinos das igrejas. A cidade, enfeitada, celebrava a chegada dos monarcas, após longos 54 dias de espera. Em breve, o Rio de Janeiro se tornaria a capital do Reino de Portugal, e o Paço Imperial, com vistas para o mar, seria o novo lar de um império de falsos esplendores. O luxo e a pompa que refletiam a riqueza do Brasil Imperial contrastavam com a dura realidade das pessoas subjugadas pela escravidão. A terra, sangrada pelo corte do Pau-Brasil, o amargo sabor do açúcar nos engenhos e o suor nas plantações de café e seringais, se tornava um reflexo de um paraíso ilusório. A abolição prometida parecia uma redenção distante, uma mentira escrita nas páginas da história, sem garantir verdadeira liberdade ou justiça.

O sonho de liberdade.

A chama que acendeu os ideais da República Brasileira, liderada pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 1889 ergueu-se na Praça da Aclamação, rompendo com a monarquia e, com o gesto audaz, dava forma a um novo país, onde a esperança, a liberdade e o desejo de um futuro melhor se entrelaçavam na fundação da República. Mas, como todo sonho, a utopia logo se dissipou. A política, então, se afundava nas disputas entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, o famoso "café com leite". O poder do país se concentrava nas mãos das elites e grandes proprietários de terras, enquanto os desclassificados eram novamente jogados para as sombras da sociedade. Mais tarde, com a ascensão de Getúlio Vargas, a República ainda se via marcada pela ambiguidade. Seu Departamento de Imprensa e Propaganda construiu a imagem do "pai dos pobres", enaltecendo sua figura. Porém, apesar da consolidação de alguns direitos, o controle e a repressão se faziam presentes, e a vigilância sobre a população era a moeda de troca para a manutenção do poder. Anos mais tarde, foi com os militares, que tomaram o poder em 1964 através de um golpe, que a repressão encontrou seu ápice. Sob o manto de um regime que mergulhou o Brasil em um cenário sombrio, a população se viu sujeita a um martírio de vigilância, censura e uma constante sensação de medo. O sonho de liberdade parecia cada vez mais distante, como se, ao invés de construir, o país estivesse, na verdade, em ruínas. Foi no desabrochar das flores do Tropicalismo que se abriu um novo capítulo de esperança, um frescor que respirava a promessa de dias melhores. Como sementes lançadas ao vento, o movimento trouxe consigo uma força transformadora, que ecoou não apenas na música, mas também na cultura, na arte e na política. O Tropicalismo, com sua ousadia e criatividade, quebrou barreiras e abriu novos caminhos, pavimentando a estrada para a reconstrução do país e a reabertura de uma política que até então estava sufocada pelo autoritarismo.

Os caminhos que buscavam consolidar o sonho de um Paraíso Desejado, onde os direitos da população fossem verdadeiramente garantidos, foram traçados pela Constituinte de 1988. Porém, essa jornada ainda parece distante da realidade, uma realidade que, embora registrada em mais de 500 páginas de papel, se desvia do ideal contido nesse documento. Apesar da Constituição assegurar, entre outros, os direitos à educação, à saúde, à alimentação, à moradia, à cultura e ao lazer, além dos direitos dos povos indígenas, o que vemos no cotidiano é um cenário de constante desarticulação desses direitos. Os fatos que se desenham diante de nossos olhos estão no preço exorbitante da comida, que torna o sustento um desafio diário para muitos; na saúde e na educação, que são constantemente atacadas e transformadas em mercadorias, ao invés de direitos essenciais; na rua, que se torna o único abrigo para os desclassificados, aqueles que a sociedade insiste em ignorar; e na cultura, cada vez mais engolida pelo monstro da indústria, perdendo sua essência e profundidade diante da produção em massa. Esses cenários refletem uma realidade em que o que deveria ser acessível, humano e coletivo se torna um luxo ou um produto, enquanto o que é legítimo e vital é marginalizado e silenciado.

Talvez, para finalmente alcançar esse paraíso, seja necessário retornar à filosofia e à ancestralidade indígena. Precisamos resgatar a sabedoria milenar desses povos e nos abrir aos seus ensinamentos, pois talvez seja através dessa reconexão que possamos, enfim, caminhar rumo a um Brasil verdadeiramente igualitário e livre. A esperança que permanece acesa é a de um Brasil Cocar, onde o símbolo de união, resistência e sabedoria ancestral seja a bandeira de um futuro em que todos, sem exceção, possam viver com dignidade e liberdade.


Enredista: Fernando Constâncio

Carnavalesco: Charlton Júnior