Compositor: Rafael Muniz e Lucas Donato
Eu vejo o sonho, o Paraíso
Nos olhos o brilho do céu de Jaci
Eu vejo a força criadora de Yebá Beló
O templo maior, oh Mãe Natureza!
Luz ofuscada nas ondas da navegação
Meu canto sagrado não vence o canhão
E assim se forja o Brasil
A cruz e o fuzil bem na cara da gente
Na terra do Inferno Colonial
É fácil plantar o mal
Cavalo dado não se olha os dentes
A joia do Imperador chegou
Flamula um falso esplendor de amor
O amargo da cana, o suor na lavoura
O corpo sangra na estação mais duradoura
O samba danado glorifica o fim da escravidão
E chora se não encontra igualdade
A luta diária pra garantir o pão
Só vê censura e repressão
Mas que covardes!
Pode cuspir, pode calar
Que o teu declínio há de chegar
Entre as ruínas nasce a flor da nova idade
Pode cuspir, pode calar
Que a alegria há de voltar
Chegou a hora de cantar a liberdade
Eu vou à luta com a pele vermelha
A minha bandeira é flecha ancestral
Floripa do Samba, voz da resistência
É a essência do meu Carnaval!

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