Sou a flecha que corta a ilusão!
O tambor que desperta a nação!
Na avenida Floripa é raiz
É Brasil-cocar, clamando por justiça e por paz!
Vem ouvir o vento a soprar,
No ventre da terra um tempo sem dor,
Yvy marãe’ỹ, sagrado lugar,
Onde a vida dançava em louvor!
Jaci prateava as águas do rio,
Ceuci plantava o pão do viver,
O céu bordava um manto tão puro,
No abraço seguro do entardecer…
Mas o mar trouxe o aço e a cruz
Velas ao vento, um tempo de horror!
Martírios apagaram a nossa luz
E a terra chorou, o sangue derramou
Trazem espelhos, roubam as cores,
Queimam as matas apagam tambores,
O paraíso virou ilusão,
Grilhões no corpo, lamento no chão!
Nos engenhos, a lágrima amarga
Na senzala, a liberdade se embarga
A república vem, mas a fome não sai
Mudam os donos, mas o povo não tem paz
Getúlio sorri, mas censura no olhar
O golpe se arma, e a sombra vem calar
Na boca fechada, o grito é canção
Tropicália explode em revolução
Brasil, teu cocar é a identidade!
Na força do povo, se ergue a verdade!
E se a esperança reluz no olhar
É pra vencer e enfim libertar!

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