sábado, 20 de abril de 2024

Floripa contará a lenda de Donana - A Rainha do Maranhão

 


Com a equipe renovada para o carnaval de 2024, sendo o interprete Leonardo Bessa e o carnavalesco Rogério Garcia, a Floripa do Samba levará para a passarela virtual o enredo "A Assombração na Carruagem - A Lenda de Donana".

Confirma abaixo a divulgação do enredo:

1. INTRODUÇÃO:

É transbordando mistérios, que a Floripa do Samba apresenta o seu enredo para o carnaval de 2024. Iremos viajar para o Maranhão e contar a lenda de Ana Joaquina Jansen Pereira, mais conhecida como Donana (viveu entre 1793 a 1869). Descendente de uma família nobre da Europa, fincou raízes em terras brasileiras, erguendo um império de terras e imóveis, alcançando a alcunha de Rainha do Maranhão. Em escritos sobre essa personagem, encontra-se registros de uma mulher ativa nas questões políticas e dos movimentos sociais, além de auxiliar o Imperador do Brasil em causas importantes, sonhava um dia ser aclamada como baronesa.

Seu envolvimento com tais causas e seu poderoso império e fortuna conquistados em São Luís do Maranhão – fato nada habitual para uma mulher do Maranhão do século XVIII/XIX – fizeram surgir das mais diversas lendas. Boatos em bocas miúdas circulavam pela cidade, surgindo assim, a história da Carruagem de Ana Jansen. Outras histórias, como o fato de judiar de seus escravos, fizeram emergir a lenda que Donana teria sua alma condenada, vagando pelas ruas da cidade do Maranhão numa carruagem assombrada, conduzida por um escravo sem cabeça e por cavalos também decapitados. Pelas bocas miúdas, conta-se, que nas noites de quinta para sexta-feira, quem a encontra pelo caminho deveria aceitar a vela acessa que Jansen oferecia, para que na manhã seguinte a vela se transformasse em um osso…

É através dessa história e em suas lendas derivadas que a Floripa do Samba vai adentrar a passarela Virtual no carnaval de 2024. O intuito é contar e recontar a história de Ana Jansen, a Rainha do Maranhão. Sua figura é de grande relevância histórica, tendo em vista, que figurou entre as principais personagens do século XVIII e XIX do Maranhão e do Brasil.


2. SINOPSE:

Vim da Europa com minha família Moller

E no Maranhão me instalei

Após grandes dificuldades

Uma luz eu encontrei


Aprendi com meu Avô

Um comerciante de madeira

A lutar sempre pela vida

E que sempre há uma maneira


Pelo vai e vem das águas

De Além-mar despontam novas terras

A travessia do Atlântico foi dura

E no Calor dos Trópicos aberra


Fiquei conhecida como Donana, a Rainha do Maranhão

Em minhas fazendas se fizeram prosperar

Produtos como Cana-de-açúcar e algodão

Além de deter o maior número de escravos da região


Para consolidar o meu poder

E manter o monopólio da água

Eu sabotava a Companhia

E assim mais lucrava


Sou uma mulher ambiciosa e perseverante

Num cenário excludente, me demonstrei resiliente

Fui ativa na política, Reativei o “Bem-te-vi”

E nessa grande confusão, acredito que Venci


Já tentaram me humilhar

Foi um tal comendador

Que no fundo de um penico de porcelana

Uma foto minha colocou


Eu tentei, juro que tentei

O notável título monárquico de Baronesa

Mas Dom Pedro II por inveja

Não me concedeu tal proeza


Ajuda já me pediram

Para evitar a cidade agitada

Financiei Duque de Caxias

Na Revolta conhecida como Balaiada


E a Guerra do Paraguai

Eu também financiei

Mas não tive reconhecimento

E na mão, novamente, fiquei


Falam do meu modo de vestir

Falam do jeito que sou

Mas é tudo inveja dos homens

Pois tinha o poder que nenhum deles conquistou


Após minha morte

Muitas coisas eu ouvi

Faço defunto arrepiar

E Bumba-meu-Boi dormi


Inclusive falaram

Que eu judiava de meus escravos

Que os deixava morrer em poços

Mas, isso não é verdade seu moço


A noite se aproxima

Volto em vida para essa homenagem

Vagando numa carruagem

Aceite a vela e embarque nessa viagem


Christian Fonseca e Fernando Constâncio


3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JUNIOR, Flávio Pereira Costa. Entre o popular e o erudito: as lendas como representação do Maranhão oitocentista. Universidade Estadual do Maranhão. 2013.        Disponível    em:                   <http://www.historia.uema.br/wp- content/uploads/2015/09/7.-flavio- pereira-costa-junior.pdf>. Acesso em: 09 de maio de 2018.

MORAES, Jomar (org). Ana Jansen, rainha do Maranhão. São Luís: AML, 1991. SAMPAIO, Eliana; GOMES, Delfina; PORTE, Marcelo. HISTÓRIA DA CONTABILIDADE E O GÊNERO FEMININO: O CASO ANNA JANSEN, A RAINHA DO MARANHÃO (SEC. XIX). Revista Española de Historia de la Contabilidad.                              2017.          pg.           59-89.          Disponível em: <file:///C:/Users/09705784906/Downloads/306-1120-1-PB.pdf>. Acesso em 05 de maiode 2018.

SOUSA, Lucimar Carvalho. Os Pasquins em São Luís na primeira metade do século XIX.               São             Luis.              2006.             Disponível em <http://www.outrostempos.uema.br/curso/especializacaopdf/lucimarc.pdf>. Acesso em08 de maio de 2018.

SALEME,      Roseliane.    Ana     Joaquina    Jansen   Pereira.    Disponível em <https://www.infoescola.com/biografias/ana-joaquina-jansen-pereira/>. Acesso em: 13 de maio de 2018.

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